28 de dezembro de 2011

Novo rumo na carreira


Em outubro de 2011, minha professora de Redação Jornalística IV, Elivanete Barbi, me alertou a respeito de uma vaga disponível com o meu perfil na assessoria de imprensa da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto. De imediato veio aquele frio na barriga, mas fui procurar mais informações e conversar com as pessoas responsáveis pela vaga.


Bom, depois de muitas trocas de e-mails, ligações e entrevista, percebi que era uma ótima proposta de trabalho, pois eu não só trabalharia com comunicação, como também estaria na área que eu mais gosto: cultura.


Pelo fato de eu morar sozinha em uma cidade sete vezes maior do que a minha terra natal (Lins-SP), ainda por cima ser universitária e ter que me manter sozinha, eu sempre tive que pensar bastante para aceitar qualquer proposta de trabalho.


Aceitei. E tudo deu certo. Comecei na Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto (OSRP) dia 24 de outubro de 2011. De lá pra cá, fiz novos amigos, estou desenvolvendo muitas habilidades, me aperfeiçoei no In Design, Photoshop e estou tentando relembrar o Corel Draw. Eu diagramo e colaboro com textos e fotos para a revista da Sinfônica de Ribeirão, que se chama Movimento Vivace. Além disso, atualizo o site www.sinfonicaderibeirao.org.br e os blogs da orquestra, mantenho contato constante com jornalistas e me apaixonei pela música erudita e pelos maravilhosos espetáculos apresentados pela OSRP.


A Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto é uma organização sem fins lucrativos e é a segunda orquestra mais antiga do Brasil com apresentações ininterruptas e em 2011 completou 73 anos.



OSRP e coro no Concerto Internacional de novembro - Theatro  Pedro II. Foto: Bruna Zanuto


Além dos concertos mensais apresentados no Theatro Pedro II, como a série Concertos Internacionais e o Juventude Tem Concerto, a OSRP tem projetos sociais que leva música erudita à crianças e jovens: Tocando a Vida, além de uma parceria com a Instituição Aparecido Savegnago, de Sertãozinho-SP.

A orquestra já lançou quatro CD’s, sendo o último: Clássicos Natalinos, uma seleção encantadora de músicas natalinas com arranjos especiais e diferenciados.


Vivendo e respirando música, não tem como não se encantar por todo esse universo. Eu nunca tinha visto pessoalmente um apresentação de orquestra, nunca toquei nenhum instrumento e ainda não compreendo as partituras musicais, mas essa nova experiência, despertou meu interesse sobre o assunto e vem me mostrando a importância de conhecer mais sobre música, seus compositores, suas histórias e o período em que viveram.


Espero que em 2012 eu possa colaborar muito para a história da OSRP e desenvolver o melhor trabalho possível junto a esse bem cultural da cidade de Ribeirão Preto-SP.

Novas oportunidades

Como é possível perceber, faz quase três meses que eu não atualizo o Robin Hood de Saia. Mas esse longo período sem atualizações não significa que não há material ou assunto para ser discutido e publicado, muito pelo contrário.

Posso, tranquilamente, afirmar que nesses últimos meses produzi muitos trabalhos, reportagens, entrevistas para programa de TV, me aperfeiçoei em diagramação por meio do programa In Design, mudei de emprego e finalmente entrei para a comunicação. Com tudo isso, não sobrou tempo para postar todo esse material e explicar tantas mudanças. Eis o motivo da minha ausência.

Só para esclarecer: eu não consegui postar novos conteúdos, mas não deixei de ver os comentários dos seguidores e muito menos de acompanhar a frequência das visitas.

No primeiro post desse blog eu havia explicado a paixão do meu pai pela construção civil e o sonho de me ver uma engenheira civil ou arquiteta. Esse sonho dele me influenciou nos últimos sete anos, pois me formei em Técnico em Edificações, em 2006, no Centro Paula Souza de Lins, e trabalhei como desenhista em escritórios de arquitetura, decoração e paisagismo durante seis anos.

Desenhei muitos projetos, adquiri muito conhecimento sobre o AutoCad, comecei a dar aulas desse programa responsável pela criação de projetos de arquitetura, engenharia ou paisagismo, fiz grandes amigos nos quatro escritórios em que trabalhei – Nakai Engenharia (Lins-SP), Construtora Franco Junior (Lins-SP), Arquiteta Flávia Camargo (Ribeirão Preto-SP) e Andréa Esteves Paisagismo (Ribeirão Preto-SP) – e sem dúvida aprendi muito.

Sou eternamente grata a todas as oportunidades que esse ramo, que aliás está em expansão, me proporcionou e por ter sido o mantenedor do meu sustento nesses últimos anos. E quero finalizar este texto agradecendo a todos os meus colegas de trabalho que conheci durante esses seis anos trabalhando com arquitetura. Não vou citar nomes, pois são muitos e seria injustiça esquecer um nome que fosse.

Como já disse, o jornalismo não foi algo que veio por acaso na minha vida. O meu sonho de ser jornalista andou paralelo com todas as atividades que eu desenvolvi em outras áreas. Em outubro de 2011, eu recebi mais uma proposta de trabalho para começar a trabalhar com comunicação. A diferença é que dessa vez tudo conspirou a meu favor. No post Novo rumo na carreira vou falar sobre essa nova etapa da minha vida.

12 de outubro de 2011

Agência de Notícias (AGE)

Voltando um pouco no tempo, há exatamente um ano, o professor Luiz Messias trabalhou com a minha turma a disciplina Redação Jornalística II. Essa matéria consistia na produção de quatro notícias para a Agência de Notícias (AGE), da Unaerp.

Hoje, eu percebo que uma notícia é muito mais fácil de ser escrita do que uma reportagem mais aprofundada como, por exemplo, as que produzimos para o JO (Jornal do Ônibus). Mesmo já tendo produzido algumas matérias durante os três primeiros semestres, nada era comparado a AGE, pois as minhas reportagens eram laboratoriais, ou seja, só eu, o professor e os meus “leitores-cobaias” – pais, namorado e amigos – tinham acesso a elas.
A AGE é um portal de notícias que é produzido pelos alunos da Unaerp, portanto, foram os meus primeiros trabalhos publicados em algum veículo de informação. Isso me dava certo frio na barriga. Mas foi a primeira experiência que me aproximou do verdadeiro jornalismo, apurar informações, correr atrás de fontes, escrever com um limite máximo de 2.500 caracteres e cumprir o deadline – tempo limite para entrega da notícia.

A agência tinha quatro editores: Nathalia Coelho, Larissa Costa, Rogério Morotti e o quarto integrante que não lembro o nome, pois essa aluna só tinha essa disciplina junto a minha turma. O fato é que todas as minhas notícias foram editadas primeiramente pela Nathalia Coelho – que hoje trancou o curso, para fazer um intercâmbio nos EUA e fazer cursos relacionados à nossa área – e depois revisadas pelo professor-jornalista Messias.
Bom, depois de explicado o funcionamento da AGE, o frio na barriga e a satisfação de estar próximo ao jornalismo, conheça o resultado disso tudo.

A primeira reportagem: Transporte público – aquela que eu adaptei do impresso para o rádio e agora para a internet.

A segunda foi a respeito da Reforma ortográfica, que eu contei como estava sendo a adaptação das nova ortografia aqui em Ribeirão Preto-SP.

A terceira foi Espanhol nas escolas, onde apurei como as escolas de Ribeirão Preto estavam se organizando para implantar esse novo idioma.

A quarta – última, porém não menos importante – a retranca era Reforma ortográfica na web, onde eu descobri vários sites e blogs de professores ou estudantes da língua portuguesa, que tiram dúvidas de português voluntariamente dos internautas.

Na produção dessa notícia encontrei o blog Crase em Crise e tive o prazer de conhecer Mônica Falsarella, blogueira de Santo de André-SP, que me ajudou muito e entrou no meu círculo de amizades. Confira também como foi essa experiência através da visão de Mônica, clicando aqui.
Boa leitura, espero que goste.

25 de setembro de 2011

Pensionatos

Para finalizar a trilogia do JO (Jornal do Ônibus) do primeiro semestre de 2011, eu escolhi uma matéria para a editoria SERVIÇO.

Moradora de pensionato desde fevereiro de 2009, – ou seja, quando comecei a faculdade – eu resolvi explicar como funciona um pensionato estudantil e desmistificar aquele conceito de lugar rígido e cheio de regras.

No primeiro ano de faculdade, minha amiga Larissa Costa, perguntou – um pouco espantada: “Você mora num pensionato? Mas como é lá?”. Muitas pessoas imaginam que um pensionato estudantil é um local severo, com hora de sair e hora para chegar, como se fosse uma espécie de internato.

Mas, os pensionatos estudantis atuais eles funcionam como um hotel, você tem algumas refeições diárias, roupas lavadas e passadas, internet e quarto limpo, mas com uma diferença: o preço é mais acessível.

Esses estabelecimentos são muito interessantes para pessoas como eu, que chega a uma cidade sem conhecer nada, sem tempo para se dedicar às tarefas domésticas – pois passa o dia todo fora, estudando e trabalhando – e por se encaixar no orçamento dos estudantes, que, aliás, foi definido muito bem em um comercial de um banco: “estudante é tudo duro, rapaz!”.

Já deu para notar que não foi difícil conseguir fontes – entrevistados – para essa reportagem. Mas, essa matéria me deu certo trabalho: contar a história como uma repórter e não como uma moradora de pensionato. Acredito que consegui ser imparcial, mesmo estando tão envolvida com o assunto. Mas quero saber de você: Eu consegui ser objetiva, sem deixar-me envolver com a reportagem? Confira a matéria logo abaixo e deixe o seu comentário.


Página 4 do Jornal do Ônibus - Texto e foto: Bruna Zanuto - Diagramação: Bruna Zanuto e Larissa Costa
Caso a imagem não dê boa leitura, segue abaixo a reportagem na íntegra.

PENSIONATOS SÃO OPÇÕES DE MORADIA EM RP
Início da faculdade, procura de emprego, cursos de curta duração são alguns dos motivos que levam pessoas a procurar os pensionatos de Ribeirão Preto

Pensionatos ou pensões estudantis são uma das opções de moradia que Ri­beirão Preto-SP oferece para os es­tudantes ou trabalhadores que vêm de cidades distan­tes e não têm tempo de re­alizar tarefas domésticas. Alimentação, roupa lava­da, quartos mobiliados e limpos e internet wifi são alguns dos serviços ofere­cidos por esses estabeleci­mentos. De acordo com a necessidade do pensionis­ta, os valores também va­riam - quartos individu­ais são mais caros do que os quartos divididos entre dois pensionistas.

Muitas pessoas con­fundem os pensionatos es­tudantis com os pensiona­tos de freiras ou seminaris­tas. Cada pessoa que pro­cura um pensionato estu­dantil tem um objetivo de vida, portanto os horários dessas pessoas são flexí­veis e diferentes dos pensio­natos de freiras em que to­dos estão ali com um ob­jetivo único, horários con­trolados e regras mais rígi­das. As pensões estudantis também possuem suas re­gras, mas estas são rela­cionadas à organização e à boa convivência.

Os valores pagos pelos pensionistas variam, pois em um quarto dividido en­tre duas pessoas o aluguel mensal é de R$ 600, em média. Já o preço pago pelos quartos individuais gira em tor­no de R$ 850. A dona de um pensionato feminino localizado no bairro Nova Ribeirânia, Angela Apa­recida Viera, 48 anos, tra­balha nesse ramo há 12, explica que anualmen­te passam pelo estabele­cimento, entre diaristas e mensalistas, de 10 a 12 meninas. Ela conta que já recebeu pessoas de to­dos os estados brasilei­ros, inclusive do exterior. “Já recebi moças da Angola, Argentina, Fran­ça, Itália e EUA”. A es­tudante de Educação Fí­sica, Lisiane Destro, 18 anos, é original de Mo­coca-SP e explica por que optou por morar em pensionato há três meses. “Eu queria amizades no­vas, num ambiente des­conhecido, sem me preo­cupar com a alimentação e tarefas domésticas”.

A administradora, Maiara Aita, 22 anos, de Santo Augusto-RS veio para Ribeirão Preto em busca de emprego. Ela encon­trou o pensionato através de sites de busca na inter­net e ressalta o maior be­nefício na pensão onde mora. “Você nunca fica sozinho, tem sempre al­guém para conversar. Es­sas pessoas acabam sendo sua segunda família”. Já a estudante de Engenha­ria de Computação, Le­tícia Sufredini, 17 anos, veio de Tabatinga-SP e aponta qual a maior di­ficuldade de morar em pensionato: “adaptação e convivência com pessoas que você não conhecia”. A mãe de Letícia, Maria Solange Sufredini, apo­sentada, resume em uma palavra os benefícios que sua filha tem no pensio­nato onde mora: “como­didade”.

Morar em pensiona­to tem muitas vantagens, mas há algumas dificul­dades como explica a enfermeira Janaina Car­valho, 27 anos, de Mor­tugaba-BA. “Morar em pensionato é legal, mas você não se sente em sua casa, além das diferenças existentes entre as pesso­as que ali moram”. Janai­na morou em uma pensão em setembro do ano pas­sado para fazer um curso de inglês intensivo. Ela saiu da pensão onde mo­rava, para ficar mais pró­xima da universidade em que conseguiu uma bolsa de mestrado.

A estudante de Pu­blicidade e Propaganda, Elis Rother, 20 anos, é de Monte Alto-SP e acredi­ta que é viável economica­mente morar em pensiona­to, mas aponta a diferença de hábito entre as hóspe­des. “Algumas coisas são novas e nos causam espan­to, enquanto outras podem nos ensinar algo novo”.

Existem vários pensio­natos femininos, mascu­linos e mistos em Ribei­rão Preto, localizados per­to das universidades. Há muita concorrência entre eles, principalmente nas altas temporadas - início e meio de ano – período em que começam as aulas. Para mais informações, basta acessar as ferramen­tas de busca da internet e procurar por ‘Pensionatos Ribeirão Preto’.

11 de setembro de 2011

Classes Hospitalares do HC


No post
Suave Caminho no JO, eu apresentei a minha primeira reportagem para o Jornal do Ônibus, também conhecido como JO. Mas não disse que o JO é um jornal consolidado, com 24 anos de existência e veiculada três edições por semestre.

Já era maio de 2011, hora de pensar em outra pauta para a 2ª edição do semestre e a 268ª edição do jornal. A proposta do 
JO é trabalhar com matérias frias – ou seja, nenhum tema factual –, mas trazer assuntos relevantes, porém pouco explorados pela mídia convencional. 

Que assunto eu iria abordar? O que interessará ao público-alvo do 
JO, ou seja, os usuários de ônibus de Ribeirão Preto?

Um dia, navegando pelos sites oficiais do governo, vi uma nota que precisava de professores para as
classes hospitalares do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.

Classe hospitalar
? Eu fiquei intrigada, não sabia que existia esse tipo de serviço e fui pesquisar mais sobre o assunto. Entrei em contato com a assessoria de imprensa do HC, que me encaminhou para a assistente social e chefe das classes hospitalares, Silvana Mariniello.

Bom, depois de algumas ligações, duas entregas de ofícios para requerer uma entrevista, eu consegui agendar um horário com a Silvana e com as quatro pedagogas do projeto e fui muito bem recebida.

Nessa reportagem aprendi novas lições, como os cuidados para não divulgar o rosto das crianças na hora de fotografar e também de não publicar o nome completo, usando somente as iniciais para preservar a privacidade delas.


Conheci histórias de crianças que moram no hospital há 10 anos e de outras que veio de diferentes estados para se tratar no HC e tiveram que ficar longe de suas famílias e de suas casas durante muito tempo. E para essas crianças não perderem o ano letivo foi criado o projeto
classes hospitalares, onde pedagogas dão aulas nos leitos, quando necessário, ou em salas de aula adaptadas dentro do hospital. 

Para fazer essa matéria, eu conheci outra realidade, me emocionei e vi que ideias simples são capazes de mudar o futuro de muitas pessoas. Se o leitor quiser conhecer um pouco mais sobre esse trabalho, vale a pena conferir a reportagem logo abaixo.

Capa do Jornal do Ônibus, edição 268, MAI2011 - Marcação em vermelho: chamada para a reportagem Classes Hospitalares



Página 5 do Jornal do Ônibus - Texto e foto: Bruna Zanuto


Caso a visualização da reportagem não esteja boa na imagem acima, segue abaixo o texto.


HC POSSUI QUATRO CLASSES HOSPITALARES
Crianças hospitalizadas no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto recebem aulas nos leitos e em salas montadas dentro do hospital

O Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto possui quatro classes hospitalares, que estão vinculadas à Escola Estadual Professor Doutor Aymar Baptista Prado (escola mais próxima ao hospital) para atender crianças do 1º ao 9º ano do ensino fundamental, que necessitam ficar hospitalizadas durante um certo período e longe de suas escolas de origem.
Segundo a assistente social e chefe de sessão das classes hospitalares, Silvana Mariniello, a ideia surgiu em 1973, mas com foco em pacientes adultos. “Percebi que vários pacientes não sabiam escrever o seu nome”. Segundo ela, nessa época, havia uma criança internada junto a esses adultos. Então veio a ideia de proporcionar um atendimento pedagógico para as crianças que ficariam um tempo afastadas da escola. “Começamos a trabalhar essa criança. E ela respondeu bem ao ensino”. A assistente social explica que o objetivo de trabalhar com os adultos foi deixado de lado, pois havia muita dificuldade em encontrar voluntários para dar aulas para eles.

Silvana acrescenta que o projeto é pioneiro em Ribeirão Preto-SP e também cita os obstáculos para  implantar as classes. “Uma vez, um médico falou que eu era louca e perguntou se eu achava que uma criança doente ia querer estudar. Eu falei que sim”. Ela lembra também que na década de 90, o Hospital Santa Lydia implantou um trabalho parecido, porém não era reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) e hoje o Projeto Classe Hospitalar do HC é único na cidade.

Como conta Silvana, que trabalha no HC há 38 anos, no início o projeto não era reconhecido pelo estado, portanto, mesmo se o aluno tivesse aulas no hospital, perdia o ano letivo. Após o surgimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em 1990, que garante a toda criança o direito à educação, as classes hospitalares do HC foram reconhecidas pelo MEC. Em 1997, foram criadas duas classes no Hospital das Clínicas de Ribeirão.

Com o passar do tempo, o número de crianças aumentou. Em 2000, foi aberta a terceira classe no hospital. Hoje, o HC conta com quatro classes, todas adaptadas para receber os aparelhos médicos e também devidamente montadas com computadores conectados à internet, além de mapas, gibis, materiais escolares e livros didáticos. O horário das aulas segue o de todas as escolas, das 7h às 11h30.

A pedagoga Vivian Bérgamo, que entrou no projeto este ano, explica que muitas crianças não podem sair dos quartos devido ao quadro clínico, então ela faz atendimentos nos leitos. “Toda manhã eu passo nos quartos. Para a criança que já é maior, eu deixo um exercício, outras menorzinhas, que estão no processo de alfabetização, precisam de mais acompanhamento. Então eu fico um tempo maior e depois volto para o outro aluno. O trabalho é muito dinâmico”.

CONTEÚDO UNIFICADO
Depois que o projeto classes hospitalares foi reconhecido pelas instituições de ensino, os alunos afastados das suas escolas, não correm risco de perderem o ano letivo quando participam das aulas no hospital.

A pedagoga Rejane Campos, que trabalha nas classes do hospital há nove anos, explica que as pedagogas têm um contato permanente com as escolas do aluno. “A escola de origem pode mandar as provas e nós aplicamos. Mas, muitas vezes, nós mesmas preparamos as provas, de acordo com as atividades que damos no bimestre”. Quanto aos materiais e equipamentos que os alunos precisam, são enviados pelo estado e doados pelo HC e pela Liga de Assistência aos Pacientes (LAP).

Já a pedagoga Maria Aparecida Magalini, que trabalha há 11 anos nas classes, esclarece que o conteúdo das séries está unificado no estado, portanto o aluno recebe o mesmo aprendizado de sua escola. Ela também ressalta o “jogo de cintura” que as pedagogas têm, para trabalhar alunos que estão atrasados em relação ao ano em que estão matriculados. “Nós temos que trabalhar primeiro a dificuldade do aluno, para depois acompanhar o plano de ensino de sua série”.

Rejane aponta que as crianças já matriculadas em alguma instituição de ensino recebem aulas no hospital e sua matrícula permanece em sua escola de origem. Mas se o aluno não tiver matrícula feita em nenhuma instituição, é matriculado na Escola Aymar Prado, vinculada às classes do hospital. No ano passado, foram atendidas pelas classes hospitalares aproximadamente 800 crianças. Mas a média anual pode variar de 900 a 1.100 alunos atendidos pelas quatro pedagogas.

A pedagoga Dalva Trittoli, que há três anos participa do projeto, fala da surpresa das mães que descobrem a existência desse trabalho. “A mãe de um aluno do Mato Grosso, que está no 1º ano, falou para a outra acompanhante como eram chiques as classes hospitalares. E que não sabia que isso existia e que é maravilhoso seu filho estar internado e continuar estudando”. A mãe da L.O.B., de 9 anos, Aparecida de Oliveira, conta que também veio do Mato Grosso atrás de um endocrinologista e ficou preocupada com os estudos da filha, quando descobriu que a criança precisaria ficar internada por tempo indeterminado. “Eu perguntei como iam ficar as aulas dela e o doutor Sonir me explicou sobre as classes e que ela poderá acompanhar as aulas”.

RESULTADOS
A mãe da pequena Y.A.B.M., de 11 anos, Elaine Borges, ressalta os benefícios que as classes hospitalares trarão à sua filha. “Eu acredito que ela não voltará atrasada. Faz um mês que está afastada da escola. Só quem está dentro do quarto vê o quanto é difícil para ela. E aqui as aulas também a distraem”. Outro aspecto positivo dessa iniciativa é melhorar o clima da internação, ressalta a pedagoga Vivian. “Quando a gente percebe que a criança está desmotivada, usamos vários métodos para envolver o aluno e fazer um trabalho diferenciado”. A pedagoga Maria Aparecida resume o efeito da classe hospitalar na criança. “É uma injeção de ânimo”.

Segundo Silvana, uma vez por ano são expostos os trabalhos realizados pelas crianças no térreo do HC. “A exposição é bem variada. Elas mostram o que realizam durante o ano”. E avisa para quem tiver interesse em prestigiar os trabalhos dessas crianças, esse ano a exposição será na Semana da Criança e estará aberta do dia 17 a 24 de outubro.

A classe hospitalar do HC já ganhou dois prêmios: em 2003 foi considerada um dos 20 melhores trabalhos do Brasil pela Fundação Getúlio Vargas e em 2005 foi intitulada como iniciativa de Boa Prática (Good Practice, em inglês) pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Suave Caminho no JO


Conforme mostrado na publicação Linguagem de rádio, é possível adaptar uma matéria de jornal impresso para a linguagem de um radiojornal. Agora, fiz o inverso: transformei a matéria de rádio Suave Caminho em uma matéria de jornal impresso.


Agora vou explicar como tudo aconteceu. No 1º semestre deste ano, nos deparamos com o JO – Jornal do Ônibus. O JO é produzido, diagramado e distribuído pelos alunos da 5º e 6º etapa do curso de Jornalismo da Unaerp. Esse jornal possui 12 páginas e são impressos 1.500 exemplares, que são entregues nos pontos de ônibus mais movimentados de Ribeirão Preto-SP.


Esse trabalho envolveu três disciplinas: Redação Jornalística III, da professora Carmen Cagno, Edição de Jornalismo Impresso I, da professora Elivanete Zuppolini, e Planejamento Gráfico I, do professor Daniel do Carmo.


O que mais me assustou no início dos trabalhos do JO, foram as aulas de diagramação. Até então, eu acreditava que eu iria somente produzir reportagens e não colocá-las de uma forma bonita e criativa nas páginas. A partir daí, me foi apresentado o programa InDesign. Pois é, esse software serve para diagramar páginas, fazer composições harmônicas e que busquem a curiosidade e os olhos do leitor.


O programa nem é tão complicado assim, mas para uma pessoa que trabalha com a tela preta do AutoCAD o dia inteiro e está acostumada com determinadas ferramentas, quando se vê diante de outro programa, com ferramentas completamente diferentes fica meio confusa.


Passado o susto inicial que o InDesign provocou em mim, vamos para a melhor parte: escrever a reportagem. Entrei em contato com os meus amigos Sonia e Jeferson novamente, atualizei os dados, acrescentei informações e o texto ficou pronto. Trabalho finalizado? Não, faltava outro braço importante do processo de elaboração de um jornal: a fotografia.


Chegou a hora de colocar em prática o olhar jornalístico, que aprendemos com o professor Cesar Mulati lá no 3º semestre. A foto de um jornal jamais deve ser manipulada. O fotojornalista tem que capturar a imagem e enquadrar na hora do clique.


A parte difícil nesse caso nem foi fotografar, mas sim arrumar tempo para isso. Trabalhar o dia todo e estudar a noite limita um pouco o tempo dessa jovem jornalista. Detalhe importante: o projeto Suave Caminho funciona de segunda a sexta-feira das 16h30 às 18h. Como resolver essa falta de tempo? Nada como um dia sem horário de almoço, que não te impeça de sair mais cedo e fazer seus trabalhos de faculdade, rotina bastante comum para universitários que trabalham.


Mas tinha outro fator importante e que também limitaria bastante as duas horas disponíveis que eu tinha: condução. Era necessário pegar dois ônibus para chegar ao meu destino. Depois de tanta correria, deu tudo certo. Fiz minhas fotos, consegui não chegar atrasada na faculdade e realizei um bom trabalho.


Confira agora a capa da edição nº 267 do Jornal do Ônibus e a página 5 dessa edição, onde foi publicado meu trabalho. E não se esqueça de deixar seu comentário. Boa Leitura!


Capa Jornal do Ônibus, edição 267, ABR2011 - Marcação em vermelho: chamada para a reportagem do Suave Caminho
Página 5 do Jornal do Ônibus - Texto e foto: Bruna Zanuto
Caso a imagem não dê boa leitura, segue abaixo a reportagem na íntegra.

CADEIRANTES ENSINAM CRIANÇAS CARENTES
O casal de cadeirantes Sonia e Jeferson ajuda na alfabetização de 30 crianças do bairro Orestes Lopes de Camargo, Zona Norte de Ribeirão, numa sala de aula improvisada na garagem de sua casa

O projeto Suave Caminho – Apoio ao Aprendizado foi criado em 2007, por um casal de cadeirantes, para reforçar a alfabetização e desenvolver a autoestima de crianças de 5 a 8 anos, que apresentam dificuldades na escola e que moram em seu bairro, Orestes Lopes de Camargo, em Ribeirão Preto-SP, ou em bairros vizinhos.

Sonia Soranzo, de 51 anos, e Jeferson Andrade, de 46, recebem de segunda a quinta, das 16h30 às 18h, 30 crianças na garagem de sua casa, onde improvisam uma sala de aula. Nesse ambiente eles organizam uma espécie de acompanhamento escolar e reforço de aprendizado. Ali reúnem todos os materiais necessários para trabalhar com os estudantes, desde as 15 carteiras, até a lousa, livros infantis e didáticos, lápis de cor, caderno e uma pasta para cada aluno guardar o seu material e os seus trabalhos.


Sônia e Jeferson vivem juntos há nove anos. Sonia, que ministra as atividades de reforço junto aos pequenos estudantes, estudou até o 1º ano do ensino médio e trabalha meio período como telefonista em uma escola particular muito conceituada em Ribeirão. Jeferson frequentou até a 5º série do ensino fundamental. Ele trabalha de segunda a sexta, das 6h30 às 14h30, no cruzamento da Avenida Treze de Maio com a Rua Iguape, vendendo chicletes para os motoristas e pedestres.


O casal já participou de corrida de rua, se apresentou no Theatro Pedro II, no espetáculo “Se eu não te amasse tanto assim” e desfilou no Carnaval 2011 como mestre-sala e porta-bandeira. Os dois jogam basquete, fizeram dança de rua, adoram festas, além de comandarem o projeto Suave Caminho há quatro anos.


Aulas de português, matemática, desenho, brincadeiras e jogos educativos fazem parte das atividades desenvolvidas junto às crianças. Agora, o Suave Caminho ganhou mais um voluntário, Gleice Alves Martins, universitária
de 26 anos, que oferece aulas de inglês aos sábados, das 9h às 11h, com o horário dividido em duas turmas, de acordo com a idade.

Guilherme Henrique de Souza Santana, de 12 anos, que participa do projeto há três, fala de sua melhora “quando eu estava na escola eu não sabia fazer contas e frações. Agora aqui eu aprendi”.


Tudo começou quando uma criança vizinha do casal apresentou dificuldades na escola. Sonia percebeu que podia fazer alguma coisa para mudar essa realidade. A partir daí começou a receber o pequeno escolar e convidou mais dois que estavam com a mesma dificuldade. Aos poucos, o número de alunos foi aumentando e ela percebeu que a experiência dava certo e que os resultados eram positivos.


Até agora, o projeto já recebeu mais de 60 crianças em seus três anos de existência e o ingresso de alunos é feito na medida em que as vagas vão surgindo. Quando as mães percebem a melhora dos filhos na escola, dão lugar a outra criança.


A frequência dos alunos costuma ser alta, pois há uma preocupação da própria criança em não perder sua vaga. Sonia e Jeferson afirmam que os alunos chegam muito animados com o projeto, pressionando até os pais para chegarem logo.


Benefícios no aprendizado
Diante da melhora no desempenho escolar das crianças, alguns pais já notaram que o Suave Caminho tem contribuído também para o desenvolvimento afetivo, a atenção em sala de aula e o gosto pela leitura. Segundo eles, antes as crianças do projeto apresentavam muita dificuldade para ler. Hoje, com o reforço que recebem do Suave Caminho, os alunos são estimulados para o exercício da leitura e do aprendizado.

O técnico de áudio, Augusto César Zaparolli, pai de Débora Vitória, que está na 3º série do ensino fundamental e participa do projeto, acredita que o reforço já contribuiu para a melhora do desempenho escolar de sua filha. “O projeto vem ajudando muito. Ela estava com algumas dificuldades e agora está com um desenvolvimento melhor”. Ele acredita que o grande número de alunos em sala de aula na rede pública de ensino, dificulta uma atenção especial por parte dos professores.


A psicopedagoga Ana Lúcia Braga acredita que atitudes como as de Sonia e Jeferson podem contribuir para o sucesso da criança na escola. “Se existe alguém que tem a intenção, mesmo não sendo professor, ou educador, de dar atenção para a criança e ainda se propõe a contar histórias, jogar jogos educativos e fazer atividades pedagógicas, isso ajuda sim”. Para Ana Lucia, se as crianças puderem tirar suas dúvidas no reforço escolar, provavelmente não apresentarão problemas em sala de aula.

Doações

Todos os materiais utilizados no projeto são adquiridos através de doações. O casal aceita somente os materiais e equipamentos utilizados pelas crianças, rejeitando qualquer tipo de ajuda financeira, para garantir a transparência do projeto. O Suave Caminho não possui um patrocinador ou colaborador mensal. A divulgação é feita através de pessoas que conhecem o trabalho do casal, se interessam pela causa e passam a ajudar.

Sonia ressalta um dos motivos mais importantes para oferecer material às crianças, em vez de pedir que elas tragam de casa. “O que a gente pede [aos doadores] é o material básico como lápis, borracha, lápis de cor. Dessa forma, não existirá uma diferença de material entre elas”.

O Suave Caminho já recebeu a doação de cinco computadores e idealiza um espaço maior, para poder atender mais crianças. Sonia e Jeferson têm a intenção de conseguir voluntários para dar aulas de espanhol e informática e montar uma brinquedoteca, tudo para aperfeiçoar ainda mais o projeto e atender as diversas necessidades das crianças.

Sonia pensa em continuar seus estudos, que foram interrompidos no 2º ano do ensino médio e fazer um curso superior que traga a oportunidade de continuar trabalhando em benefício da sociedade. Como ela diz para seus alunos, “a pior deficiência é a preguiça, pois para essa não tem jeito”.

No Natal de 2010, o casal fez uma festa para as crianças do bairro, que participam ou não do projeto, e conseguiu presentear 100 crianças com brinquedos, roupas e sapatos novos. Todos os presentes foram conseguidos através de doações dos amigos do projeto. 


20 de agosto de 2011

Repórter Esso

A uma semana do aniversário de 70 anos da primeira transmissão do Repórter Esso, programa que usava os slogans “o primeiro a dar as últimas” e também o famoso “testemunha ocular da história”, eu não poderia deixar de homenagear esse importante radiojornal da década de 1940, que é o tema da minha monografia.

No final do ano passado, os alunos do curso de Jornalismo da Unaerp tiveram que formar grupos de até quatro integrantes para a produção da monografia. Para “variar um pouquinho”, eu, Leandro Martins e Célia Natalina de imediato nos unimos e formamos nosso grupo. Mas houve uma surpresa, nossa companheira de turma Larissa Costa também estava disposta a se juntar a nós.

Depois do grupo formado, veio a parte mais difícil: qual o tema que vamos escolher para pesquisar e escrever durante um ano? Algum tempo depois, a resposta veio da Larissa Costa: Repórter Esso. Todos aceitaram de imediato e é claro que só havia uma pessoa que tinha de ser o nosso orientador: Gil Santiago, professor de radiojornalismo, que nos apresentou a famosa síntese radiofônica.

O Repórter Esso foi criado nos Estados Unidos em 1935, mas foi ao ar pela primeira vez no Brasil no dia 28 de agosto de 1941, às 12h55, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. A partir daí se espalhou para outros quatro estados do país, na seguinte ordem:
-São Paulo, na Rádio Record
-Minas Gerais, na Rádio Inconfidência
-Pernambuco, na Rádio Clube
-Rio Grande do Sul, na Rádio Farroupilha

O programa foi trazido pelos EUA para o Brasil e para outros países da América Latina para colocar em prática a estratégia política da boa vizinhança. Como afirma Klockner, “nos primeiros anos, destacou notícias referentes ao estilo de vida americano, o conhecido american way of life, após o fim da Segunda Guerra Mundial, foram veiculados informações sobre o Brasil”.

O Repórter Esso trouxe um jeito novo de fazer radiojornalismo. Antes, os radiojornais eram conhecidos como jornal falado, pois eles simplesmente liam as notícias do jornal impresso, sem dar nenhum tratamento especial às notícias, gerando uma grande oportunidade de cometer diversas gafes ao vivo.

Com o surgimento do Repórter Esso e do seu manual de redação, as notícias passaram a ser adaptadas para a linguagem do rádio, sendo mais concisas, objetivas e com uma interpretação especial na locução. O programa também é lembrado pela sua pontualidade e pelo tempo de duração determinado em cinco minutos.

Os locutores do Repórter Esso eram exclusivos. Entre as vozes marcantes dos “speakers”, como eram conhecidos os apresentadores, se destacou a de Heron Domingues, da Rádio Nacional (RJ), Aloísio Campos, da Rádio Inconfidência (MG), e Lauro Hagemann, da Rádio Farroupilha (RS).

O Repórter Esso foi veiculado durante a Era de Ouro do Rádio e deixou sua marca registrada na história. O radiojornal teve sua última transmissão no dia 31 de dezembro de 1968. Já na TV, a última transmissão aconteceu no dia 31 de dezembro de 1970.

Para conhecer melhor o programa, sugiro o livro O Repórter Esso – A Síntese Radiofônica Mundial que Fez História, de Luciano Klockner.


As atividades da Praça XV


Durante o curso de jornalismo, nós estudantes devemos passar por diversas áreas da profissão, para conhecer todas as funções que podemos desenvolver e começar a perceber em que área nos destacamos.


A disciplina de fotojornalismo, ministrada pelo professor Cesar Mulati, que cursei no 2º semestre de 2010, trouxe dois desafios. O primeiro era criar um portfólio de um fotógrafo que tivesse um trabalho diferenciado, podendo ser muito conhecido ou não, brasileiro ou não.

Bom, durante a minha pesquisa para encontrar um nome, eu achei o André François, que é um foto-documentarista que nasceu em São Paulo e registrou diferentes povos na África, Europa e América.

O que mais me chamou a atenção no trabalho do André, não foi suas viagens pelo exterior, e sim, as viagens que ele fez pelo o Brasil, retratando as várias formas que a medicina humanizada se manifesta no país.

Dando sequência em minha pesquisa, tive a oportunidade de conhecer alguns de seus livros que narram suas viagens e exibe diversas cenas que ele teve a oportunidade de fotografar.

Se o leitor ficou curioso em conhecer um pouco mais sobre esse fotógrafo, seus livros e sua história visite o site 
www.imagemagica.org. No link documentário é possível conhecer um pouco de cada livro publicado por François. Clicando aqui, o leitor pode visualizar os slides da minha apresentação sobre o foto-documentarista.

Depois de várias aulas teóricas para tentar entender o olhar do fotojornalista e também depois conhecer diversos fotógrafos e seus trabalhos, chegamos ao segundo desafio da disciplina. Era a hora de colocar em prática o meu “olhar” como fotojornalista.

Primeiro era preciso definir um tema. O que eu ia fotografar? Pensei durante duas semanas em várias situações, pessoas, lugares, mas nada que realmente tenha despertado o meu interesse. Até que um dia, caminhando pela Praça XV de Novembro, no centro de Ribeirão Preto, notei a quantidade de gente que trabalha e circula por ali nos finais de semana.

É uma diversidade de pessoas muito grande, cada uma com uma ideia, um estilo de vida e uma forma de sobrevivência. Se o trabalho é formal ou informal esse não foi o foco da escolha do meu tema. A minha proposta foi mostrar as diversas atividades e pessoas que passam pela peculiar Praça XV.

Chegou a hora de conhecer o meu singelo ensaio fotográfico “As atividades na Praça XV”.































18 de julho de 2011

Suave Caminho


Como combinado no post 1ª reportagem: transporte público para deficiente
vou apresentar mais um trabalho realizado com os meus novos amigos: Sonia e Jeferson, que foram meus entrevistados durante a produção da reportagem Acessibilidade e Sensibilidade - duas coisas de que eles precisam.


O que eu não contei ainda é a atividade que esse casal fantástico desenvolve diariamente. Sonia e Jeferson é um casal como outro qualquer. Acordam cedo, vão trabalhar, arrumam a casa, mas depois do almoço eles recebem crianças na garagem de casa para ajudar aquelas que apresentam dificuldades na escola, durante o processo de alfabetização.

Esse projeto que eles criaram chama-se Suave Caminho - apoio ao aprendizado. Durante os quatro anos da existência desse trabalho, dezenas de crianças já passaram pela garagem do casal. Depois do reforço escolar que recebem todas as tardes, elas conseguem acompanhar sua turma da escola tradicional, sem as dificuldades de antes. 

No 1º semestre de 2010, o professor de Radiojornalismo II, Gil Santiago, propôs outro desafio: produzir uma matéria especial de rádio, de no máximo 10 minutos, com um tema diferente e de interesse da sociedade. Um detalhe importante: esse trabalho também poderia ser feito em dupla, portanto, mais uma vez eu e meu companheiro de profissão, Leandro Martins, nos unimos e convidamos o casal para participar desse projeto que rendeu bons frutos.

Para saber mais sobre essa incrível história apresento agora a matéria especial: Suave Caminho - onde o quase impossível, se torna possível.




Esse trabalho contou com a produção dos repórteres Bruna Zanuto e Leandro Martins. Não posso deixar de mencionar todo o apoio de Sonia Soranzo, Jeferson Andrade, as crianças que participam do projeto e seus pais. Os créditos também vão para o nosso mestre Gil Santiago, que fez a vinheta de abertura e fechamento da matéria, e para o técnico de aúdio Henrique Falleiros, que ajudou na escolha das músicas background (BG) e na edição da reportagem.

Sonia, Jeferson, eu e o pequeno Léo, que participa do projeto

Como disse no começo deste post, esse trabalhou rendeu bons frutos. Primeiro, porque as melhores matérias foram transmitidas no programa Frequência Universitária da rádio Eldorado 1330 AM, de Ribeirão Preto. E a nossa estava entre elas. Segundo, porque ganhamos o 1° lugar na modalidade RADIOJORNALISMO: MATÉRIAS JORNALÍSTICAS, na Mostra de Prêmios Unaerp – edição 2010. Fora tudo isso, com o apoio do professor Gil Santiago, enviamos esse trabalho para a rádio Cultura Brasil (ZYK 520 – 1200kHz), de São Paulo, para participar do Programa Estudante (edição 2010) e fomos um dos selecionados. Nossa matéria foi transmitida no dia 23 de outubro de 2010 para todos os paulistanos. Agradeço a todos que colaboraram para essas conquistas.

Certificado do Prêmio Unaerp Mostra de Atividade


Certificado de participação no Programa Estudante, da Rádio Cultura Brasil

17 de julho de 2011

Apito inicial da reportagem: pauta

Nos post’s anteriores, eu apresentei uma reportagem que foi produzida para um veículo impresso (1ª reportagem: transporte público para deficiente) e depois adaptada para a linguagem de rádio (Linguagem de rádio). Mas será que ficou faltando algo? Sim, faltou: a pauta.

A pauta é o ponto de partida da produção de qualquer reportagem. Ela serve como guia para o repórter, pois contém informações que vão nortear todo o trabalho durante a produção de uma matéria jornalística. Detalhe importante: a pauta é um guia e não uma promessa que deve ser cumprida a risca.

Quando elaboramos uma pauta possuímos informações bem limitadas sobre o assunto em questão, portanto, no decorrer da produção de uma reportagem é muito comum a mudança do enfoque, visto que, somos apresentados a outras angulações do fato que não tínhamos conhecimento.

A pauta é composta, basicamente, pela retranca (o assunto da reportagem resumido em duas ou três palavras), contextualização (todos os dados já obtidos sobre o assunto pesquisado), enfoque (abordagem que o repórter dará a sua matéria) e fontes (as possíveis pessoas entrevistadas). O pauteiro ou produtor também pode colocar algumas sugestões de perguntas, mas é claro que o repórter pode acrescentar mais questões no decorrer da entrevista.

O leitor mais atento vai verificar que nas sugestões de perguntas do exemplo de pauta abaixo, eu repeti a mesma pergunta para entrevistados diferentes. Isso não foi por preguiça ou por falta do que perguntar, mas sim, para saber se há divergências de opiniões, além de mostrar os dois lados da história.

Se o leitor ficou curioso e quer mais informações sobre o que é uma pauta, sugiro a visita no blog Novo em Folha, que é escrito pela jornalista Ana Estela, entre outros repórteres da Folha. Clicando aqui, é possível ter mais informações sobre o assunto.

Logo abaixo, publiquei a pauta que foi o guia da minha primeira reportagem: transporte público para deficientes.

PAUTA

REPÓRTERES: Bruna Zanuto e Leandro Martins
EDITORIA: Cidade
DATA: maio/2010
RETRANCA: transporte público deficiente

CONTEXTUALIZAÇÃO: Ribeirão Preto conta atualmente com uma frota de 311 ônibus, sendo somente 57 adaptados para cadeirantes, que atendem a 43 linhas, segundo o jornal A Cidade de 18 de março de 2010. Diante da NBR 14.022, até 2014 todos os ônibus do país deverão ser adaptados para portadores de deficiência. O modelo de transporte público adotado na cidade é baseado em um sistema radial, onde todas as linhas convergem para o centro. Devido o crescimento da cidade, esse sistema dificulta o transporte de deficientes, quando esses devem fazer uma parada no Centro para embarcar à outro bairro, pois além de atrasar a viagem, o Centro é um local de circulação intensa de pessoas. Os ônibus adaptados e entregues pelas três empresas de transporte público de Ribeirão (Transcorp, Turb e Rápido D’Oeste) possuem plataformas elevadiças para os cadeirantes, mas os pontos de ônibus muitas vezes não oferecem condições de acessibilidade para os demais deficientes.

ENFOQUE: produzir uma reportagem para o rádio focando na pouca disponibilidade de ônibus adaptado para deficientes e cadeirantes em Ribeirão Preto. Mostrar a existência de uma lei que garante que todos os ônibus deverão ser adaptados até 2014. Apresentar as dificuldades encontradas pelos deficientes no sistema de transporte coletivo urbano. Verificar se os pontos de ônibus do centro da cidade têm condições físicas acessíveis para um cadeirante fazer uma parada e poder embarcar em outro ônibus, quando necessário. Apontar os motivos que inviabilizam ou adiam a substituição da frota de coletivos atuais para uma frota adaptada.

FONTES:
-diretor de Transportes da Transerp, empresa que gerencia o trânsito e o transporte público em Ribeirão Preto, José Mauro de Araújo
-presidente do Conselho Municipal da Integração a Pessoa com Deficiência, Sheila Aparecida Simões
-deficiente visual que utiliza o transporte público para locomoção, Luiz Gonzaga

SUGESTÕES DE PERGUNTAS
Deficiente
-como é realizado o embarque de desembarque nos ônibus coletivos?
-qual foi o tempo máximo que você esperou para embarcar em um transporte coletivo?
-quanto tempo, em média, demora o seu embarque e desembarque em um ônibus?
-os equipamentos destinados a atender as pessoas com deficiência estão em perfeitas condições?
-os pontos de ônibus oferecem acessibilidade aos deficientes?
-qual a maior barreira nesses pontos?
-tem alguma sugestão para a melhoria do transporte coletivo para os deficientes?

Diretor de Transportes da Transerp
-quantos ônibus e linhas existem em Ribeirão Preto?
-desse número, quantos estão adaptados às pessoas com deficiência e pouca mobilidade?
-qual a linha que tem o maior fluxo de deficientes, cadeirantes e pessoas com pouca mobilidade? Essa linha está adaptada para atendê-los melhor?
-com que freqüência os ônibus passam por manutenção para verificar se os equipamentos estão funcionando corretamente?
-a frota de ônibus adaptados em Ribeirão Preto atende a todos com rapidez, conforto e segurança?
-os motoristas são treinados para utilizar adequadamente os equipamento dos ônibus adaptados e para atender os deficientes?
-há algum estudo para mudar ou complementar o modelo de transporte adotado na cidade para garantir mais rapidez aos usuários?

Presidente do Conselho Municipal da Integração a Pessoas com Deficiência
-há alguma estatística do número aproximado de deficientes em Ribeirão Preto?
-qual a maior dificuldade enfrentada pelo deficiente no transporte coletivo?
-os pontos de ônibus de Ribeirão Preto oferecem acessibilidade?
-a frota de ônibus adaptada em Ribeirão atende a todos com rapidez, conforto e segurança?
-tem alguma sugestão para a melhoria do transporte coletivo para os deficientes?
-qual a sua crítica em relação ao transporte público para os deficientes?

Linguagem de rádio


No 1º semestre de 2010, o professor da disciplina Radiojornalismo II, Gil Santiago, pediu que elaborássemos uma matéria (de no máximo quatro minutos) e que escolhêssemos temas que interessassem ao ouvinte. A matéria seria veiculada no programa Frequência Universitária, da Rádio Eldorado 1330 AM, de Ribeirão Preto-SP.

O Frequência é um programa, com duração entre uma e duas horas, produzido, editado e apresentado pelos alunos de jornalismo da Unaerp. Esse programa conta com editorias fixas como: esporte, livro, filme, saúde, música e cultura, mas criamos também diversas outras editorias, como educação, economia, agronegócio, moda, etc.

Diante da importância sobre o transporte público para deficiente - apresentada no último post no Robin Hood de Saia - pensei em estender a discussão e divulgar as informações obtidas nesse veículo de abrangência local: o rádio.

A partir daí, eu e meu colega de classe e de profissão, Leandro Martins, adaptamos a reportagem do impresso para a linguagem de rádio. Realizamos entrevistas com uma preocupação maior com a sonora e elaboramos o roteiro da matéria. O técnico de áudio, Henrique Falleiros, ajudou-nos com a edição da reportagem, no programa Sound Forge. Aliás, programa que utilizo até hoje para edição de músicas.

Confira abaixo, o roteiro e o resultado do nosso trabalho. Não se atente ao sotaque puxado (porrrrta, porrrteira e porrrrtão), e sim ao conteúdo e a qualidade do material. Futuramente será necessário umas sessões de fono para perder alguns vícios na pronúncia e na linguagem.



ROTEIRO DE RÁDIO

REPÓRTERES: Bruna Zanuto e Leandro Martins
EDITORIA: Cidade
DURAÇÃO: 4’10”
DATA: 13/05/2010

LOCUTOR
A norma técnica catorze mil e vinte e dois / diz que até dois mil e catorze todo o sistema de transporte coletivo / deverá se tornar acessível para todos. / As três permissionárias Turb, Transcorp e Rápido D’Oeste, que prestam serviços de transporte coletivo na cidade de Ribeirão Preto, / disponibilizam trezentos e onze ônibus / distribuídos em oitenta e quatro linhas. / Os deficientes contam com setenta e sete veículos adaptados, / que não é suficiente para atender a demanda.

REPÓRTER LEANDRO MARTINS
Ribeirão Preto possui oitenta e quatro linhas de transporte coletivo / por onde circulam trezentos e onze ônibus e trinta vans do sistema Leva e Traz, / que operam gratuitamente vinte e oito rotas. / Desse total de veículos, / setenta e sete ônibus e dezesseis vans / são adaptados para pessoas com algum tipo de deficiência / ou com mobilidade reduzida.
No ano de dois mil e oito, / apenas oito veículos eram adaptados para pessoas com deficiência. / O aumento aconteceu a partir do ano passado com setenta ônibus adaptados.
As linhas do transporte coletivo em Ribeirão que tem maior demanda de usuários com algum tipo de deficiência são / Ribeirão Verde, Jardim Amália, Jardim Heitor Rigon, Fórum, Iguatemi e Hospital das Clínicas.
A norma NBR catorze mil e vinte e dois / diz que até dois mil e catorze todo o sistema de transporte coletivo, / incluindo pontos de parada, terminais e o sistema viário, / deverão se tornar acessíveis para todos.
Segundo o diretor de transporte da Transerp, José Mauro de Araújo, / apenas parte dos transportes em algumas linhas estão adaptados. / Ele também explica que a norma será cumprida com dois anos de antecedência.

SONORA JOSÉ MAURO DE ARAÚJO
D.I.: “Cada linha tem uma frota de veículos...”
D.F.: “...com toda a frota adaptada.”

REPÓRTER BRUNA ZANUTO
Ribeirão possui sessenta e oito mil pessoas com algum tipo de deficiência. / A maior dificuldade que essas pessoas encontram para utilizar o transporte coletivo / é a falta de acessibilidade.
A pouca disponibilidade de ônibus adaptados/ também prejudica o atendimento das pessoas que precisam de atenção especial / durante o percurso.
Outro problema encontrado nesses veículos / são as várias funções que tem de ser desempenhadas pelo motorista. / A ajuda que o condutor oferece aos deficientes / é prejudicada pela falta de tempo disponível, / sendo que ele ainda precisa dirigir e voltar o troco aos demais usuários.
O Leva e Traz possui dezesseis vans adaptadas, / sendo que dessas apenas catorze estão em circulação. / As outras duas ficam de reserva para substituição, / caso ocorra algum problema.
De acordo com a presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, Sheila Simões, / o número de vans disponíveis não é suficiente para atender / todos os deficientes cadastrados no conselho.

SONORA SHEILA SIMÕES
D.I.: “A maior dificuldade no transporte...”
D.F.: “...98 pessoas cadastradas aqui no conselho.”

REPÓRTER BRUNA ZANUTO
Para Sheila Simões, / o sistema de transporte para deficiente apresenta falhas. / Várias queixas são registradas diariamente pelos deficientes que utilizam os veículos adaptados.

SONORA SHEILA SIMÕES
D.I.: “Nós temos reclamações diárias...”
D.F.: “...cadeira de rodas ele não eleva.”

REPÓRTER LEANDRO MARTINS
Além dos cadeirantes, / os deficientes visuais também sofrem com as barreiras impostas / pelo sistema de transporte coletivo. / Os pontos de ônibus no centro da cidade também atrapalham. / Os deficientes visuais não conseguem saber qual ônibus está se aproximando / e nem sempre as pessoas estão dispostas a ajudá-los.
A acessibilidade apresenta problemas / na medida em que interfere na disposição de poltronas dos veículos / e na falta de cobertura de alguns pontos de transporte coletivo. / É o que afirma o deficiente visual Luiz Gonzaga Peres.

SONORA DEFICIENTE
D.I.: “e a maioria deles...”
D.F.:”...passa dali a vinte minutos.”

D.I.: “geralmente o seu banco...”
D.F.:”...porta pra ele descer.”

REPÓRTER BRUNA ZANUTO
Mesmo com toda a frota adaptada, / a partir de dois mil e catorze é interessante conscientizar a todos que não possuem nenhum tipo de deficiência, / que respeitem as pessoas com determinadas limitações / ou com mobilidade reduzida. / Pois, hoje, o deficiente é visto como mais um dentro do veículo / e não alguém que precisa de atenção especial. / Leandro Martins e Bruna Zanuto / para o Freqüência Universitária.

#curiosidades

Utilizamos a barra / nos textos de rádio para marcar os locais onde faremos uma breve pausa para respirar e não perder o fôlego na metade da leitura. Nem sempre ela coincide com o ponto final ou com a vírgula. E detalhe importante: cada um tem um ritmo, portanto, é interessante que quem for apresentar um texto, pontue-o com a / no local onde achar necessário fazer a pausa.

 Colocamos os numerais em negrito para ficar nítido onde começa e onde termina a leitura de um número que tenha mais de duas palavras como, por exemplo, vinte e dois. Pois, se houver casos de números extensos, teremos pouca chance de falar o número pela metade e cometer uma gafe ao vivo.

As abreviações DI e DF significam, consecutivamente, Deixa Inicial e Deixa Final, ou seja, onde começa e termina a sonora do entrevistado, facilitando a vida do técnico de áudio durante a edição.